De Onde Vem o Bater de Pé da Quadrilha Fluminense?
Por: André Moreira

Quadrilha Junina Carcará se apresentando na Final do Festival Iguaçuano de Quadrilhas 2024.
Fonte: Cultura Junina do Rio de Janeiro
A hipótese dos Ranchos:
Oi gente! O objetivo deste artigo breve é convidar você para uma divertida reflexão sobre um dos troncos que, hipoteticamente, contribuíram para a aculturação do que possivelmente se tornaria a dança que vemos hoje nas quadrilhas fluminenses. Contudo, preciso apresentar-lhes duas coisas:
• O “Pique-Bandeira” Carnavalesco.
• Os Ranchos Carnavalescos & Algumas Confluências.
É óbvio que aquilo que hoje temos quando o assunto é “bater de pé” foi um processo gradativo e histórico de incorporação de elementos. E, nessa “farofa” de coisas, entraram tantos elementos que me permitiram observar (ainda que num viés especulativo e hipotético) um dos caminhos que servem perfeitamente para responder à pergunta: de onde vem o nosso bater de pé nas quadrilhas juninas?
Mas antes, convém dizer que a tal dança tem nome: araruna, arriúna ou até araúna. Um gingado típico dos cavalheiros das quadrilhas juninas, marcado por fortes batidas de pés e giros, tendo inspirações tradicionais no Norte, no Nordeste e forte difusão nos circuitos de festivais do Distrito Federal, bem como do Rio de Janeiro — sendo este movimento visto hoje como característico dos dois últimos entes federativos citados.
O Pique-Bandeira Carnavalesco:
Nos tempos áureos, assim como hoje, o grande patrimônio de uma agremiação era o seu pavilhão. Então, como forma de humilhar os grupos rivais, o objetivo passou de apenas desfilar e estar bem, para furtar o pavilhão das agremiações adversárias, numa espécie de "pique-bandeira" real e violento. Perder o estandarte para uma rival significava a ruína de toda a comunidade. E para evitar isso, a porta-bandeira precisava correr e girar com agilidade para fugir dos ataques, enquanto, ao mesmo tempo, o mestre-sala atuava como um verdadeiro guarda-costas, usando navalhas (escondidas no lenço, na ginga da palma da mão ou no leque) e a capoeira. Com a oficialização dos desfiles, as batalhas físicas foram proibidas e convertidas em arte. Toda aquela “tática” virou uma coreografia refinada.
A hipótese defende que, em algum momento, todo esse volteio, todo esse cortejo da dama, esse bailado de ponta dos pés, virou uma aculturação junina, já que a comunidade periférica era a mesma.
Os Ranchos Carnavalescos & Algumas Confluências:
Pasmem, mas tanto os ranchos como as quadrilhas dispunham de um rei e uma rainha. Tinham mestre-sala e porta-bandeira (existindo a variação com uma porta-estandarte) e, em certo período, também participaram do “piquebandeira carnavalesco”. Os ranchos possuíam uma preocupação muito grande com o canto, com a harmonia, e muitos deles eram convidados para eventos em salões da alta sociedade, o que transformava tudo em arte itinerante também. Sem dúvidas, o contato da arte periférica com os ambientes dos privilegiados é a mais curiosa das “coincidências”. No entanto, o que mais chama a atenção é o fato de que muitos ranchos desfilavam com os componentes pulando, mexendo os braços alternadamente para o alto e as pernas com a mesma sincronia de movimentos da araúna brasiliense. “Pulavam que nem pipoca”! E aí? Qualquer semelhança é mera coincidência? O que vemos hoje é uma grande mistura do tempo, refinada pelo relacionamento das pessoas com cada época, e que resultou no que vemos na nossa atual existência. Não, a nossa arriúna não é só estilo. Ela é um pouco da nossa própria história...

Esta imagem mostra foliões dançando nas ruas do Rio de Janeiro durante as celebrações do carnaval, vestindo fantasias carnavalescas.
Fonte: Site viajandopelahistoriadoriodejaneiro.com
-
André Moreira: professor, pesquisador e escritor
-
Email: andrezinho250@hotmail.com
-
Blog:
-
Instagram: @andrezinho250
-
Youtube: @andrezinho250
-
FONTE : CREDITOS André Moreira – Cultura Histórica & Especulativa

